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A Dieta Detox

Publicado em 2018-05-30

A Dieta Detox

Quando os dias frios vão embora, surge a intenção de apostar numa dieta mais saudável para mandar embora os quilos extras. As temperaturas altas favorecem a divulgação de dietas, que muitos se encontram dispostos a realizar.
As dietas cada vez são mais diversificadas, mas todas possuem uma base comum: a procura do emagrecimento.
Importa, antes de desconstruir todas as inverdades relativas a essas várias abordagens dietéticas que, nos são todos os dias sugeridas pelos meios de comunicação social, averiguar a sua fundamentação científica.
 
No nosso organismo os rins, os pulmões, a pele, o sistema gastrointestinal e o fígado (sobretudo este), desempenham um importante papel na eliminação de substâncias indesejáveis, através da urina, fezes e bílis. Depois, existem variantes de tornar a nossa alimentação mais detox, através da ingestão de nutrientes fundamentais (vitaminas do grupo B, vitamina E, zinco, selénio e aminoácidos) que permitem que as enzimas responsáveis pelas ações de desintoxicação, atuem.
Nunca se falou tanto de dieta detox como atualmente. Há planos detox para todos os gostos. Três dias, 20 dias, 100 dias. Só com água, só com sumos, com sopas incluídas ou com suplementos herbais e produtos laxantes. Feitos em casa, comprados ou em forma de comprimido.  
O problema é que neste tipo de dietas não são avaliados os potenciais riscos que pode ocorrer se tomar uma ou outra opção.                                                                                                    
Batidos, sumos ou superalimentos, são bons e devem ser incluídos na dieta na medida do possível, mas não vão resolver os desequilíbrios. A verdade é que não existem curas rápidas para estilos de vida pouco saudáveis.
 
A Dieta Detox
 
Visão geral do tópico
 
A desintoxicação tem vindo a ser estimulada a fim de melhorar a nossa saúde, desintoxicar determinados órgãos específicos do nosso organismo (como o fígado, o rim, a vesícula biliar), recuperar do consumo excessivo de alimentos ou álcool, ou permitir um controlo do peso.
Dependendo de quem as aplica, as dietas detox podem consistir na restrição da ingestão de determinadas fontes de alimentos e/ou bebidas ou podem promover o consumo específico de determinados géneros alimentícios como batidos de fruta e vegetais, laxantes e/ou produtos à base de plantas.
As reivindicações associadas às dietas detox na maioria das vezes não são fundamentadas e, em muitos dos casos, não são verdadeiras. A evidência que comprova este tipo de dietas é muito limitada e as alegações de que os referidos géneros alimentícios, desintoxicam e ajudam na perda de peso ou na redução da inflamação, não é cientificamente testada.
Estudos revelam que a desintoxicação não é suscetível de facilitar a perda de gordura e pode resultar em efeitos negativos sobre a saúde.
À partida desconfie de todas as dietas que proponham a eliminação completa de um grupo de alimentos, como carne, peixe ou ovos – todos fontes de proteína.
Para pessoas saudáveis, a desintoxicação pode acarretar potenciais riscos graves, incluindo diarreia, desconforto abdominal e desidratação, podendo levar a desequilíbrios eletrolíticos.
Indivíduos em maior risco de consequências negativas associadas às dietas detox, incluem aqueles com diabetes; com problemas a nível renal, cardíaco ou hepático e mulheres grávidas ou a amamentar.
Em alguns casos, as dietas detox podem provocar interações graves com a medicação, podendo, de igual forma, acarretar sérios problemas de saúde.
 
Análise de evidências
 
Batidos de fruta e vegetais - Os batidos de fruta e legumes são promovidos como uma forma de limpar e desintoxicar o fígado, bem como os rins e outros órgãos. Esta promoção baseia-se tipicamente em evidências preliminares de que vários vegetais, frutos, e plantas melhoram e reduzem, a função do metabolismo de drogas e toxinas.
Os alimentos indicados para o efeito incluem o repolho, o brócolo, a couve-flor, as cenouras, a salsa, os espargos, o aipo, a beringela, a batata, a toranja, a laranja, a maçã, entre outros.
 
Produtos à base de plantas - O público em geral tende a considerar os produtos "naturais" como mais seguros ou superiores às suas contrapartes sintéticas. No entanto, as plantas por vezes utilizadas apresentam ações farmacológicas e composições variáveis, sendo que os componentes farmacologicamente ativos variam de amostra para amostra.
Existem efeitos colaterais associados à ingestão deste tipo de produtos que incluem ataque cardíaco, choque anafilático, diarreia, dor abdominal, hipertensão, angina, taquicardia, dermatite, dor de cabeça e tontura.
O uso de produtos à base de plantas tem sido associado a nefrotoxicidade, em alguns casos devido a toxicidade, contaminação ou interação com medicamentos ou outros produtos à base de plantas que os indivíduos ingerem.
 
 
Note-se que as vias de desintoxicação foram criadas para eliminar os restos do metabolismo, e não as dezenas largas ou mesmo centenas de compostos estranhos ao nosso metabolismo que diariamente absorvemos.
Assim, em vez de uma dieta, tenha um estilo de vida detox, mas evitando ao máximo a utilização de fármacos detox.
Se a moda detox servir para aumentar a ingestão de fibra, nomeadamente frutas e legumes em batidos ou sopas, não tem problema, desde que sejam complementares a uma alimentação saudável.
Se quer mesmo pôr o seu corpo a funcionar em equilíbrio: beba muita água ou chá sem açúcar, use e abuse dos legumes e das saladas, cozinhe com especiarias, evite gorduras, evite fumar ou ingerir bebidas alcoólicas, pratique exercício físico e tenha um sono de qualidade.
 
NUTRIÇÃO

Inês Mota (Nutricionista)

"C.P. 3514N"