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Dieta sem lactose: riscos e benefícios

Publicado em 2019-04-22

Dieta sem lactose: riscos e benefícios

Sabias que é expetável que à medida que o corpo envelhece a taxa de produção de lactase diminua drasticamente e consequentemente nos tornemos intolerantes à lactose? Nós explicamos!

Mas primeiro importa esclarecer:

Em que consiste a lactose? 

A lactose consiste num açúcar que se encontra naturalmente presente no leite e seus derivados. 

A sua digestão é levada a cabo pela enzima lactase, que é produzida pelo intestino delgado. Esta é responsável por decompor a lactose em dois açúcares mais simples, glicose e galactose. Desta forma, o organismo consegue assimilá-la e levá-la até às células, através da corrente sanguínea, de modo a que seja utilizada como fonte de energia. 

Em que consiste a intolerância à lactose?  

Consideramos que um indivíduo adquiriu uma intolerância à lactose, quando a sua capacidade de digestão se encontra reduzida, hipolactasia, ou seja, a produção de lactase é inferior à quantidade de lactose ingerida.

Quando a lactose não é digerida, a mesma não consegue ser absorvida pelas paredes do intestino, sendo metabolizada pelos microrganismos presentes no cólon. Estes, através de processos de fermentação, conseguem decompor a lactose, porém, produzem uma elevada quantidade de gás, originando sintomas como distensão abdominal, cólicas, desconforto, vómitos e/ou diarreias.
A intensidade dos sintomas vai depender do grau de sensibilidade à lactose e do teor ingerido. 

 Como surge esta intolerância?

Um dos aspetos fundamentais a ser esclarecido, centra-se na questão de como surge essa intolerância e na diferença dos diversos graus de sensibilidade à lactose.

Os mamíferos no início da vida, possuem uma elevada taxa de produção de lactase devido à amamentação. No entanto, a partir do momento que a mesma começa a diminuir, por consequência da introdução de novos alimentos, a sua produção diminui. Ou seja, é expetável que à medida que o corpo envelhece a taxa de produção de lactase diminua drasticamente.

Chegou-se à conclusão que inúmeras variáveis intervêm na persistência da lactase ao longo da vida, como determinantes genéticas, porém, a estimulação da lactase através da alimentação é crucial.

Isto tudo para dizer que, a exclusão da lactose da alimentação, sem indicação de um nutricionista ou profissional de saúde, pode levar ao desenvolvimento de uma intolerância à lactose a longo prazo. Além disso, os produtos lácteos são uma excelente fonte de proteínas, vitaminas e minerais, onde a sua exclusão, se não for bem ponderada e ajustada, pode levar a alguns défices nutricionais. Por isso, é importante que a mesma, seja sempre acompanhada por um profissional especializado na área.

Em casos de intolerância à lactose, procede-se a uma dieta reduzida em lactose ou até mesmo à sua exclusão, no sentido de elevar o bem-estar e a qualidade de vida do indivíduo. Hoje em dia, já existem muitas opções alternativas aos géneros alimentares que contêm lactose, tanto de origem animal como de origem vegetal.

Os alimentos de origem animal, têm a vantagem de, em termos nutricionais, serem bastante idênticos aos produtos com lactose. Porém, no caso dos alimentos onde a lactose já se encontra metabolizada, é normal que o teor de açúcares seja superior, dado que a mesma já foi decomposta em glicose e galactose.

É importante frisar que os produtos apesar de serem apelidados de sem lactose, não são sinónimos de produtos saudáveis. É essencial verificar a informação e tabela nutricional, de modo a verificar se contêm açúcares adicionados.

Por outro lado, os géneros alimentícios de origem vegetal são bastante diferentes em termos nutricionais dos produtos lácteos, dado que os valores de proteína, cálcio, vitamina D e fósforo são inferiores. No entanto, alguns desses produtos já contêm adição de cálcio, fósforo e vitamina D, de forma a colmatar essas diferenças.

 

A tendência genética humana é que exista um declínio progressivo na produção de lactase após a amamentação, no entanto, através da escolha de determinados hábitos alimentares, consumo de produtos lácteos, pode ocorrer a persistência da lactase, que em termos nutricionais acaba por possibilitar a inclusão de um leque de alimentos variado num plano alimentar, de modo a satisfazer as necessidades nutricionais com maior facilidade. Por outro lado, a diminuição, ou quando necessário a exclusão, de lactose da dieta, pode diminuir os sintomas associados a uma hipolactasia, aumentando a qualidade de vida do indivíduo, sendo por esse efeito benéfico. No entanto, essa deve ser efetuada com o auxílio de um nutricionista, de modo a selecionar as melhores alternativas e combater possíveis falhas nutricionais que possam surgir como consequência dessa restrição alimentar.

 

Adaptado

NUTRIÇÃO

Inês Mota (Nutricionista)

"C.P. 3514N"