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Alergia alimentar vs. intolerância alimentar

Publicado em 2019-05-22

Alergia alimentar vs. intolerância alimentar

O que é uma alergia alimentar?

A alergia alimentar é uma reação adversa para a saúde, resultante de uma resposta específica e reprodutível do sistema imunológico quando exposto a um determinado alimento. Esse alimento é reconhecido como agressor ao organismo, sendo que, a fração do alimento responsável por essa reação denomina-se de alergénio.

O que é uma intolerância alimentar?

A intolerância a um alimento é uma reação anormal, geralmente continuada e de baixa reatividade. A intolerância pode ocorrer pela falta de uma enzima necessária para a digestão de um componente/parte de um alimento, tendo como resposta uma inflamação crónica.

Qual a diferença entre alergia alimentar e intolerância alimentar?

Alergia alimentar é muitas vezes confundida com intolerância alimentar, contudo estas duas são distintas nas causas e sintomas associados. Na alergia alimentar há uma resposta imunológica anormal imediata, num determinado indivíduo suscetível. Na intolerância alimentar (hipersensibilidade alimentar não alérgica) o sistema imunológico não está envolvido.

Quando suspeitar de uma alergia alimentar? 

Quando manifesta sintomas (isolados ou combinados) após a ingestão de um alimento, como: manchas vermelhas na pele, inchaço, náuseas, vómitos, diarreia, cólica abdominal, espirros, comichão nos olhos ou lacrimejo, tosse, chiadeira no peito, dificuldade em respirar.

Quando manifesta sintomas após a inalação de vapores de cozedura de um alimento. 

Quando manifesta comichão na boca, com ou sem inchaço dos lábios e/ou língua (síndrome de alergia oral).

Mito ou Realidade

Alergia e intolerância ao leite de vaca são a mesma coisa?

Mito. Estas duas patologias (alergia e intolerância) são bem diferentes, contudo, frequentemente confundidas. A alergia ao leite (alergia à proteína do leite) é uma reação de saúde adversa que ocorre quando o nosso sistema imunológico reconhece, erradamente, a proteína do leite como uma entidade agressora ao organismo (alergénio), desencadeando vários sintomas desagradáveis, como: diarreia, gases, cólicas, distensão abdominal, lesões na pele, dificuldade de respirar, sangramento intestinal, entre outros.

A intolerância ao leite ocorre porque o organismo não produz ou produz pouca quantidade da enzima lactase, responsável pela digestão da lactose (hidrato de carbono). Quando esta deficiência se verifica, a lactose permanece inteira no intestino, causando desconforto abdominal, dor, diarreia, náuseas, flatulência e/ou inchaço abdominal.

Assim, a alergia é uma alteração imunológica em que os sintomas são causados pelo contato com as proteínas do leite, e suas manifestações podem ocorrer por todo o corpo. Já a intolerância é uma condição em que, devido à reduzida atividade da lactase surgem manifestações clinicas, que são sempre gastrointestinais.

A alergia alimentar é provocada por um sistema imunológico fraco?

Mito. Quem apresenta alergia(s) alimentar(es) não tem um sistema imunológico fraco, mas sim, uma resposta exacerbada do sistema imunológico a uma determinada substância alimentar.

A alergia alimentar é hereditária?

Mito. Apesar de haver um componente genético relacionado, ele não é o único determinante da alergia alimentar. Ou seja, apesar de haver uma maior probabilidade de progenitores com alergia alimentar terem filhos alérgicos, isso não significa necessariamente que, a criança tenha uma alergia, nem que a alergia seja a mesma que a dos pais. A genética é importante, mas é fundamental considerar o ambiente em que o indivíduo está inserido. A alergia alimentar é para toda a vida? Mito. Nem todas as pessoas que têm uma alergia alimentar nasceram com ela, bem como, ter uma alergia alimentar desde a primeira infância não significa necessariamente que, a pessoa a terá para o resto da vida, ou ainda que, não desenvolverá outras ao longo do ciclo da vida.

Os Testes de Intolerância Alimentar são fidedignos?

Mito. Numa época em que as abordagens mais convencionais relativamente à nutrição e perda de peso estão longe de cativar a maioria das pessoas, tudo o que se percecione como algo diferenciador, ou até como um avanço no diagnóstico, reúne muitas condições para ter sucesso. Nos últimos anos, têm vindo a ser divulgados e comercializados os designados testes de intolerância alimentar, que incluem testes múltiplos que estudam indiscriminadamente intolerâncias ou alergias alimentares, utilizando vários métodos. Conforme foi publicado pela Academia Europeia de Alergologia e Imunologia Clínica e divulgado pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), os referidos testes não têm qualquer fundamentação científica, não têm utilidade diagnóstica e a sua realização e interpretação no âmbito clínico podem configurar elementos de má prática clínica. A interpretação destes resultados, sem integração numa avaliação clínica apropriada, pode traduzir-se em consequências de extrema gravidade, levando a grandes restrições dietéticas, com consequências nutricionais, metabólicas e impacto significativo na qualidade de vida, associando-se, ainda, a custos elevados desnecessários.

Os testes de intolerância alimentar muito frequentemente indicam-nos que, os alimentos que mais frequentemente ingerimos são justamente aqueles que, nos aparecem como mais suscetíveis a desencadear alguma intolerância. Tal tende a acontecer pois os anticorpos medidos por estes testes (imunoglobulinas G4), são produzidos normalmente pelo nosso sistema imunitário como forma de reconhecimento às proteínas dos alimentos que ingerimos. Ou seja, a nossa exposição repetida a alguns alimentos (aqueles que comemos com mais frequência) faz aumentar estas imunoglobulinas e potencialmente classificar como impróprios os alimentos que mais gostamos. A abordagem das doenças resultantes de mecanismos alérgicos ou de intolerâncias a alimentos e/ou aditivos alimentares, deve ser realizada por imunoalergologistas experientes na área, cumprindo os pressupostos da boa prática médica, e dependendo de metodologias de diagnóstico clínico e laboratorial específicas e bem conhecidas pela comunidade científica nacional e internacional. Assim, constata-se que, os testes de intolerância alimentar não têm qualquer validade científica, pelo que não devem ser recomendados/requisitados para o diagnóstico de doentes com suspeita de alergia ou intolerância alimentar. Nos casos de suspeita de alergia ou intolerância alimentar, sugere-se a referenciação para um médico especialista em imunoalergologia.

Notas finais

- Perante a suspeita de alergia ou intolerância alimentar, deverá procurar ir a uma consulta da especialidade de imunoalergologia.

- Os testes múltiplos de intolerância alimentar não têm, pura e simplesmente, validade científica.

NUTRIÇÃO

Inês Mota (Nutricionista)

"C.P. 3514N"